terça-feira, 27 de setembro de 2011

Texto: Ler devia ser proibido

Guiomar de Grammont
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.

É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

1. Atividade: Informar a introdução, o desenvolvimento e a conclusão no texto.

Guiomar de Grammont

Introdução

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Desenvolvimento

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.

É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Conclusão
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Legenda:
Tese




 2. Atividade: Quem foi Dom Quixote, Madame Bovary e Aristóteles  .


Dom Quixote

É um livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra, foi publicado em Madrid no ano de 1615.
O protagonista da obra é Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão por muita leitura de romances de cavalaria e pretende imitar seus heróis preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu amigo fiel e companheiro que tem uma visão mais realista. A ação gira em torno de três incursões da dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Calunha, Nessas incursões, ele se envolve em uma série de aventuras, mas suas fantasias são sempre desmentidas pela realidade. O efeito é altamente humorístico.

Madame Bovary

É um romance escrito por Gustave Flaubert, escreveu este livro depois de tomar conhecimento do suicídio de uma jovem senhora, que depois de levar seu marido à ruína, e traí-lo ingere arsênico e falece. O marido não suporta a ausência da esposa e acaba morrendo de ataque cardíaco fulminante. Ema Bovary fora criada em um convento e por não apresentar sinais verdadeiros de que tivesse vocação para ser freira volta à casa do pai e ali vive uma vida pacata no campo, lendo os romances românticos idealizados de Walter Scott.
O pai de Ema quebra a perna e então o médico Charles vai prestar atendimento ao pai da jovem, e eles acabam se conhecendo. As visitas à casa de Ema são constantes em virtude da saúde seu pai. Charles fica viúvo e casa com Ema num curto intervalo de tempo. Ao casar a moça pensa que ascenderá socialmente, que viverá a vida dos salões, em contato com os nobres, mas logo entra num estado de profunda nostalgia ao perceber que o casamento constitui de uma vida monótona, cercada aos afazeres do lar.

Aristóteles

Aristóteles nasceu em Estagira,Grécia 384 a.C.,foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores, da filosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedônia, na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu (lyceum) em 335 a.C.


 Autoavaliação do texto: Ler devia ser proibido

Alessandra 
Esta atividade mostra de forma irônica a alienação da realidade das pessoas que vivem no mundo obscuro da falta de leitura. Revelando a incapacidade e limitações do homem diante das circunstâncias da vida. Me fez refletir, despertar e compreender a importância da leitura para as conquistas do mundo real.
Priscila Sant’Anna
Compreendi como é necessária a leitura para nossa vida, e a cada atividade que faço percebo como muda a minha maneira de pensar e ver o mundo sinto uma incrível vontade de compartilhar com as pessoas tudo que venho aprendendo. Descobri que a leitura é como o amanhecer, está tudo escuro e de repente a luz vem devagarzinho e vai quebrando a escuridão que nos cerca. 

Samanta

 A atividade mostrou a importância que a leitura pode fazer para nossa vida, essa afirmação fica bem claro quando o texto diz: “Para o homem que lê, não há fronteira. Ler pode tornar o homem perigosamente humano”, ou seja, a leitura nos leva a lugares, faz despertar nossas imaginações. Acredito então que a leitura é maior arma do ser humano com ela muda totalmente a visão de tudo aquilo que vemos e ouvimos.

 Verônica
Entendi que, a leitura envolve as pessoas, cria oportunidades e condições favoráveis para o crescimento pessoal e intelectual das pessoas.

3 comentários:

  1. Ao interpretar o texto podemos perceber um tom de ironia da autora, ela traça uma série de paradigmas em que a leitura nos abre portas e novos horizontes de forma perspicaz, podemos até dizer subverssivas para nossa rotineira realidade.
    Podemos perceber que na obra a autora nos trás uma riqueza de detalhes sobre a importância da leitura na transformação do homem diante da sociedade, não apenas como mais uma peça na sua perpétua engrenagem mas como ponto de reflexão para definir sua própria existência, em que o mesmo tem direitos e o livre arbítrio de questionar essa sociedade por muitas vezes alienada, manipulada e adestrada que segue continuamente pré-conceitos já estabelecidos.


    Parabéns pessoal pelas reflexões, eu adorei esse texto, me desculpem não me contive em expressar minha opinião sobre ele.

    Marcelo Pinheiro
    Salvador
    Cursando 2° semestre de História na Universidade Unijorge

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  2. Ao interpretar o texto podemos perceber um tom de ironia da autora, ela traça uma série de paradigmas em que a leitura nos abre portas e novos horizontes de forma perspicaz, podemos até dizer subverssivas para nossa rotineira realidade.
    Podemos perceber que na obra a autora nos trás uma riqueza de detalhes sobre a importância da leitura na transformação do homem diante da sociedade, não apenas como mais uma peça na sua perpétua engrenagem mas como ponto de reflexão para definir sua própria existência, em que o mesmo tem direitos e o livre arbítrio de questionar essa sociedade por muitas vezes alienada, manipulada e adestrada que segue continuamente pré-conceitos já estabelecidos.


    Parabéns pessoal pelas reflexões, eu adorei esse texto, me desculpem não me contive em expressar minha opinião sobre ele.

    Marcelo Pinheiro
    Salvador
    Cursando 2° semestre de História na Universidade Unijorge

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