terça-feira, 27 de setembro de 2011

Texto: Não despertemos o leitor




Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo.
Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.
"A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser a delícia e a tábua de salvação das conversas.
Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério com idéias originais.
Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista:
"O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"
O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

(QUINTANA, Mário. Prosa & Verso. 6. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 87)

1. Defina, com suas palavras, um leitor dorminhoco.
O leitor dorminhoco é aquele que lê, mas não faz uma reflexão da leitura para saber se o que ele leu está certo ou errado, tem preguiça de raciocinar.O Texto "Não depertemos o leitor", é um texto dissertativo, pois segundo consulta ao livro de Othon Moacir Garcia Comunicação e Prosa Moderna 26 ed.

2. Como você se classificaria: um leitor dorminhoco, um leitor semidesperto ou um leitor atento? Justifique.
O leitor dorminhoco lê, mas não interpreta o que leu.

O leitor semidesperto lê desconfia  que tem algo errado mas não se importa.
O leitor atento lê e pesquisa para ver se o que leu é verdade.

3. Plutarco poderia se considerar um grego comum? Por quê?
Não. Porque Plutarco achava que os sete sábios eram chatos.

4. Por que os sete sábios da Grécia deviam ser a tábua de salvação das conversas?

Eles tinham grande prestígio e influência entre os seus contemporâneos, e eram dotados de tamanha sabedoria que alguns de seus ensinamentos foram inscritos nas paredes do templo de Apolo, em Delfos.

5. Uma das técnicas da dissertação consiste na citação de um "argumento de autoridade", ou seja, o testemunho ou a citação de uma pessoa de competência reconhecida sobre determinado assunto. Como Mário Quintana ironiza essa técnica?
 Que conhecimento não faz mal a ninguém, e que o Brasil é historicamente feito por pessoas que são dispersas a leitura e que nada significa para ele.

6. Caetano Veloso, na letra Sampa, afirma o seguinte: "Á mente apavora o que ainda não é mesmo velho". Que trecho do texto apresenta opinião semelhante?
"Autor que os queira conservar não deve ministra-lhes o mínimo susto."

7. Qual a diferença de postura entre o leitor dorminhoco, o leitor semidesperto e o leitor atento em relação à frase: " O Brasil não fugirá ao seu destino histórico"?
O leitor dorminhoco lê, sem prestar atenção e não interpreta o que leu.

O leitor semidesperto lê desconfia  que tem algo errado mas não tem curiosidade de aprofundar o seu conhecimento, se acomoda;
O leitor atento lê, pesquisa, relacionar os fatos para ver se o que leu é verdade.



Atividade Proposta


1. Informar a tipologia textual e fundamentar a sua resposta segundo Othon Moacir Garcia

2. Pesquisar sobre Plutarco
2.1 Os Sete Sábios 
2.2 Mário Quintana.
2.3 Escolher um dos textos do autor que mais gostamos e dizer o porquê da escolha.

1. Tipologia Textual

O texto apresenta na introdução (linhas 1 a 3) ideia-núcleo ou idéia principal e partindo dessa idéia, surge o plano "autor que os queira conservar não deve minitrar-lhe o mínimo susto".
Já o desenvolvimento, (linhas 4 a 13) é constituído de duas partes, seguidas respectivamente de dois parágrafos sínteses, sem nada lhe faltar de arremate ou confirmação, com a inclusão de outras idéias secundárias. A conclusão reafirma a introdução.

2. Plutarco

Plutarco, foi filósofo e prosador grego, estudou na Academia de Atenas (fundada por Platão). A sua ética baseia-se na convicção de que para alcançar a felicidade e a paz, é preciso controlar os impulsos das paixões. Escreveu sobre Platão, sobre os estóicos e os epicuristas, e estudou a inteligência dos animais comparando-os à dos humanos. É dele um pequeno e denso ensaio, onde expõe a habilidade no uso da astúcia com ética.

2.1 Os Sete Sábios


Aos sete sábios da Grécia eram atribuídas grande quantidade de máximas e preceitos – sentenças proverbiais -, por todas conhecidas. Algumas eram tão famosas que foram inscritas no templo de Apolo em Delfos. A lista dos sete sábios não foi sempre a mesma, mas a mais difundida, do tempo de Platão, é a seguinte: Tales de Mileto, Periandro de Corinto, Pítaco de Mitilene, Bias de Priene, Cleóbulo de Lindos, Sólon de Atenas e Quílon de Esparta.
·         Tales de Mileto foi o primeiro filósofo de que se tem notícia, e considerava a água como origem de todas as coisas.
·         Periandro de Corinto foi o segundo tirano de Corinto; filho do primeiro.
·         Pítaco de Mitilene, foi um estadista e legislador da Grécia Antiga.
·         Bias de Priene, foi filósofo do século VI a.c, e na opinião de muitos, foi um dos sábios mais destacados.
·         Cleóbulo de Lindos escreveu muitos enigmas. A ele se atribui a máxima “A moderação é o melhor”. Ele governou como tirano de Lindos, na lha grega de Rodes, c.600 a.C., sob uma gestão exemplar.
·         Sólon de Atenas foi um legislador, jurista e poeta grego antigo, como poeta compôs elegias morais-filosóficas. Elegia é uma poesia triste, melancólica ou complacente, especialmente composta como música para funeral, ou um lamento de morte.
·         Quílon de Esparta foi a primeira pessoa que introduziu o costume de unir-se aos reis como seus conselheiros. Diógenes Laércio descreve-o como um escritor de poemas elegíacos, e atribui muitos ditados a ele como: “Não falar mal dos mortos”, “Honrar a idade velha”, “Não rir de uma pessoa em infortúnio”. 

2.2 Mário Quintana




 

       Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.
       Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.
Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.
       Ainda em vida recebeu outra homenagem em Porto Alegre. No centro velho da capital gaúcha é montado, no prédio do antigo Hotel Majestic, um centro cultural com o nome de Casa de Cultura Mario Quintana.
Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994, deixando uma herança de grande valor em obras literárias.
(fonte:Wikpédia)


 

 2.3 O Laço  (Mário Quintana)
                                                                                             
"Meu Deus! Como é engraçado.                                          
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço.
Uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não embola.
Vira, revira, circula e pronto, está dado o laço.
É assim que é o abraço (...)
Ah, então é assim o amor, a amizade, tudo que é sentimento.
Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas não pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço.
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga então se diz: romperam-se os laços.
Então o amor, a amizade são isso.
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço."
 



Alessandra Borges 
 ·   Escolhei este *textículo, porque fala de um laço, algo simples e significativo, que simboliza  vários tipos de sentimentos que não nos damos conta. Sentimentos estes que estão relacionados com a maneira como nos relacionamos e agimos com as pessoas e com a vida. Não podemos deixar o laço ser transformado em nó, sim assim fizermos, acabamos por sufocar o sentimento sublime o qual representa o laço.
· Textículo: Pequeno texto.
           
Priscila Sant’Anna

·    Este texto me fez refletir na beleza e simplicidade de um laço, nunca havia imaginado o laço desta maneira, no corre-corre do dia a dia não prestamos atenção nas coisas simples da vida, me fez pensar em como é difícil manter os laços sempre intactos, às vezes num pequeno deslize ele pode se transformar em nó e assim perder seu sentido e não será mais um laço.

Samanta Santos

·    O texto despertou em mim a questão sobre como as coisas simples pode nos fazer um significado muito importante e que muitas vezes não damos oportunidades de percebermos que as coisas, mas simples fazem toda diferença na nossa vida  deixamos passar então despercebido,é a questão do abraço que muitas vezes não sabemos o valor que pode causar a quem nós abraçamos ou deixamos de abraçar é a questão do sufocar. O autor também deixa clara a fragilidade dos sentimos que muitas vezes por um descuido pode magoa alguém.



         NÃO DESPERTEMOS O LEITOR
Autor: Mário Quintana

Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo.
Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto.
Apenas as eternas frases feitas.
"A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar
impunemente: "disse Bias". Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios
da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns
verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser
a delícia e a tábua de salvação das conversas.
Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? O lugar-comum é a base da
sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a
sério com idéias originais.
Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista:
"O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"
O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o
leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge
mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

 LEGENDA

INTRODUÇÃO
DESENVOLVIMENTO
CONCLUSÃO


Autoavaliação da Atividade
Alessandra
·  Esta atividade me fez ver a falta de interesse que temos ao ler um texto, em analisá-lo, interpretá-lo e nos aprofundar de leituras que vão enriquecer o nosso conhecimento. Como a falta de hábito de leitura nos deixam preguiçosos e sem curiosidade para analisar cada texto de maneira diferente.
 Priscila
 
·    A atividade relata as várias formas de leitores, ironizando a postura de cada um deles e nos fazendo refletir em qual nos encaixamos. A preocupação do autor é nos alertar, para que estejamos sempre atentos ao que lermos.
Samanta Santos
      ·  A atividade fez com quer   eu percebesse  que quando pegamos um texto seja ele  qual for devemos não só ler por ler e sim ter um olhar diferente para cada um,ou seja sempre questionar,criticar, concorda,discordar. Quando fazemos uma leitura sem essas características a leitura não tem sentido. Acredito então que o segredo da leitura é a curiosidade.  
Verônica

   ·  Nesta atividade, Mário Quintana revela que as pessoas têm preguiça de ler, não gostam de ter esforço e utilizam idéias já prontas.
Os indivíduos se acostumaram a não pensar e não estão aptas a criar. Com isso, mesmo em situações totalmente diferentes, eles agem da mesma forma.
 






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